sexta-feira, 30 de maio de 2008

Vôo livre II

Pense em ter liberdade, ou melhor, liberdade total para voar. Como as pessoas que fazem o Base Jumping. Liberdade para simplesmente cair de um lugar imensamente alto, e deixam o ar, o vento, os levar. Caindo de uma grande altura, correndo riscos de bater em qualquer lugar, e o mínimo esforço de mudar a trajetória pode ser fatal. O que deve ser feito é somente deixar que o vento leve, para ter a total liberdade do vôo livre, e assim desfrutar a viagem em harmonia e em segurança. Pensando na nossa vida, como é a proposta do blog, temos esse vôo a fazer. Se deixamos Deus nos carregar, assim como o vento dá forças aos base jumpers, conseguiremos viver uma vida mais íntegra e completa. Desfrutando de tudo o que há para desfrutar. Ao menor sinal de tentarmos controlar as coisas, mudar nossa trajetória ou tomar conta de nossa viagem, podemos cometer erros que podem ser fatais às nossas vidas. Por isso que deixar Deus nos guiar, e aproveitar, criando uma intimidade com Ele, nos faz voar além do que imaginamos. Ir além do que podemos ir, além de nossas próprias forças. Assim quebramos limites, barreiras, desafios e temos o suporte, a amizade, o consolo e apoio do Deus que criou tudo o que há. Assim digo que, com Deus, seguiremos corajosos e firmes, em total liberdade. Seremos livres de fato, com a perspectiva do "Caminho, Verdade e Vida" que nos faz viver como as pessoas nesse vídeo, realizando o Vôo livre.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Vôo livre

Ontem me deparei com um fato interessante. Estava caminhando quando observei uma borboleta tentando voar na mesma velocidade em que andava, ela se esforçava para aproveitar o vento e continuar sua tragetória até o seu destino. Detalhe que não eram suas asas que determinavam a sua tragetória, mas a resultante da ação do vento sobre ela. Era o vento que dava o destino final da borboleta, e quando ela passou por mim, vi que utilizava do próprio para chegar aonde queria. Assim, não lutando contra o vento, mas o usando a favor do movimento, esse humilde inseto voava livremente enquanto eu o observava. A liberdade que a borboleta tinha, de voar como queria, não era por ter vencido o vento, mas de ter sido carregada por ele.
Isso me faz parar para pensar sobre nossa vida. Tentamos, queremos e almeijamos ser livres de todo. Livres para escolher nossos próprios caminhos, livres de outras pessoas se intrometendo nos nossos interesses, livres de dificuldades, sejam elas relacionais, financeiras e infinitas outras. Queremos caminhar de uma maneira que nos faça se deliciar a cada dia e desfrutar de real liberdade. Mas porque então vivemos de maneira tão corrida, desesperada, preocupada e presa? Aonde foi que, na nossa busca pela liberdade, acabamos por nos prender em escravidão ao trabalho, dinheiro, poder, fama e prazeres? Será que somos um caso perdido? Viver assim, tentando ser livres, simplesmente tentando se livrar das coisas, do que aparentemente nos faz mal? É assim que todo dia tentamos lutar contra o vento, por nossas próprias forças, nos preocupando com tudo e com todos. Somos uma borboleta burra, tentando ir contra a ação do vento e se perguntando porque Deus não nos deixa chegar ao nosso destino.
O que não sabemos é que nosso destino está na direção contrária. Devemos utilizar dos nossos problemas, aflições e outros que nos preocupam tanto para então ficar livres. O segredo não é lutar contra o vento, mas sim deixar que ele leve e aproveitá-lo para chegar ao nosso destino. E então entenderemos o que Deus quer nos mostrar com tudo isso. Que Ele controla tudo, qualquer tentativa nossa de tentarmos ser livres será toscamente falha. Pois somos ridiculamente fracos e sem nenhuma capacidade de ser livres por nós mesmos, ou de controlar e vencer o vento forte que sopra muitas vezes diante de nós. É por isso que Deus nos fala para pararmos de nos preocupar em exesso com a idéia de nos livrarmos de tudo. Deus pede para confiarmos nEle, deixarmos o vento nos levar e então ser de verdade livres.
Por isso, vos digo: não andeis anciosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado (medida do punho até o cotovelo) ao curso de sua vida? E porque andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais vós outros, homens de pequena fé?
Porquanto, não vos inquieteis, dizendo:" Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?" Porque os gentios é que procuram todas essas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai pois em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.
(Jesus, Matheus 6: 25-34)
Refletindo nesse texto olho que há uma real possibilidade de viver a plena liberdade do vôo livre. A liberdade está no confiar em Deus. Deixar que ele controle as coisas, e se direcionar somente pela sua palavra. Basta a cada dia o seu próprio mal, viver cada dia se concentrando somente no presente e naquilo que Deus faz por nós e aravés de nós. Não estou falando para desencanarmos de trabalhar, virarmos todos xiitas e sairmos cantando canções contra o trabalho, o mercado e tudo mais. Não estou dizendo que temos que simplesmente sair na rua e pensar que não tendo mais responsabilidades estaremos livres. É sério, não quero que você depois de ler esse texto saia na rua como se nada mais desse errado na sua vida, atravesse uma rua sem olhar e se preocupar com o trânsito e seja morto atropelado por uma velha senhora dirigindo um fusca enferrujado do ano de 68.
O que digo é que, se realmente pararmos de nos preocupar exessivamente nas coisas, e olharmos mais para aquele que nos criou, formou e amou, poderemos desfrutar de melhor maneira a vida. Tentamos segurar tantas coisas, ter o controle de tudo, mas na verdade não podemos nem ao menos controlar nossa vontade de ir ao banheiro. A liberdade de fato não é ter o controle de todas as coisas na vida, ter independência e tudo o mais. Liberdade é viver o vôo livre, deixando Deus nos levar, guiar e proteger, caminhando junto com Ele e indo aonde Ele for. Somos extremamente falhos não vamos conseguir as coisas por merecimento. Porém, Deus nos amou mais que tudo e nos deu o direito de viver segundo a sua graça radical e abundante. Deus nos concedeu a liberdade, não porque somos dignos dela, mas porque ele nos ama. Por isso, não vamos tentar segurar e controlar as coisas, parafraseando um escritor chamado H. William Webb-Peploe, "Deixe que Ele cuide do 'segurar' enquanto você cuida do 'confiar'."

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Quebrados

Você já se deparou com alguma coisa quebrada, tal um copo, um muro, um pedaço de plástico, ou até uma vida? Coisas quebradas realmente parecem muito feias e sem graça, e quando nós as vemos, um sentimento negativo nos consome. Às vezes parece difícil encarar o fato de que quebramos alguma coisa, ou alguém, ou ainda mais, que quebramos a nós mesmos. Quem já quebrou o braço sabe da dor que se sente quando o triste fato acontece. Talvez, uma parte do processo da vida verdadeira seja a quebra. Talvez a gente precise de verdade ser quebrados para então entender o que é a vida.
Mas, ainda fico encanado com a aparência das coisas quebradas. Não tem nenhuma aparência! Nada, simplesmente não são mais o que eram antes. Coisas quebradas são apenas meros vestígios vagos do que um dia se foi algo pomposo e palpável, numa realidade, com altura comprimento e largura, densidade e volume, sentimentos ou não, movimentos ou não e até com alma em alguns casos. A quebra traz deformação, a deformação traz sofrimento, o sofrimento traz dor, e tudo isso resulta num processo que deixa as coisas, ou nós, muito feios, sem graça e muitas vezes tristes desolados e sem esperança.
Entretanto, contrapondo toda a feiúra e mesquinhez da quebra, talvez ela nos faça muito bem. Quando somos quebrados, moídos mais precisamente, vemos quem realmente somos. A quebra tira todo orgulho, toda avareza, toda indiferença, todo egoísmo, modismo, escapismo, futurismo, e muitos outros ismos que nos fazem não querer encarar quem na verdade somos. Cada minuto do processo de quebra é extremamente útil para nos conhecermos como nós somos na essência, como fomos criados, imagem e semelhança de Deus. A quebra dá margem a pensarmos e refletirmos, ficamos mais abertos à visões de mundo diferentes das nossas antigas, e vivemos mais no presente, pois não há passado para se agarrar, visto que tudo foi destruído, e não há uma esperança de um futuro bom. É nesse momento, o verdadeiro presente, que Deus atua em nossas vidas de forma implacável.
No presente Deus atua com aqueles que não escapam para os lados. Por isso Ele nos quebra, mói e nos coloca em cheque-mate, para ter um real encontro com Ele. Constantemente somos desafiados a viver esse presente, no qual não somos nada além do que vasos quebrados, peças precisando de conserto, sem saber aonde ir, como agir ou o que fazer. No presente, somos apenas pessoas quebradas, filhos quebrados precisando de um pai que nos acerte. Deus tem o potencial para nos consertar, mas antes disso, precisamos assumir a nossa quebra, reconhecer o fato.
A história de Jó é uma boa história para uma ilustração relevante. Jó foi dilacerado, com a permissão de Deus. Teve seus filhos mortos, seus rebanhos dizimados, e seu corpo debilitado. Teve 3 "amigos" que jogavam na cara dele todo dia que Deus faz isso com as pessoas ruins e faz como castigo para com os pecadores. E ainda mais, teve uma mulher que o pediu para que amaldiçoasse seu Criador. Jó teve um processo de quebra que eu chamaria de extremo. Mas mesmo assim, com todas as dificuldades e problemas, Jó não amaldiçoou a Deus, não se voltou contra Ele, e assumiu que realmente era pecador. Jó era o homem mais justo da Terra na época, e talvez foi um dos homens mais justos do mundo todo. Alguém que foi dilacerado totalmente, para o reconhecimento de que ele não era nada perante Deus. Esse é o resultado da quebra.
Necessidade. A quebra nos traz uma necessidade de algo, de ajuda, conselhos e consertos. Quando assumimos nossa quebra, imediatamente pensamos em como consertar, reconstruir e acertar de novo. É aí que colocamos nossa vida diante de Deus e falamos: "Tó, é sua, você quebrou, você conserta tá? Toda sua.". É essa entrega que Deus deseja! Que dependamos dEle, que necessitemos do seu amor para completar nosso ser e acertar nossos caminhos. A quebra nos faz deparar realmente, face a face, com quem nós realmente somos. E nosso eu verdadeiro verdadeiramente precisa de um Salvador e Redentor. Pois sozinhos somos apenas cacos, quebrados, indiferentes e ridículos; mas quando entregues nas mãos do oleiro(cara que faz vasos), podemos ser derretidos novamente na aguá viva, e moldados com as próprias mãos do Criador. Que a gente aceite o que realmente somos, nada sem Deus, apenas vasos quebrados.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Farofa

Hoje comi, no meu querido conforto de casa, um grande prato de arroz e feijão com picanha de panela e farofa. Detalhe que, amo farofa. A farofa dá um gosto especial às coisas, seu sabor é admirável, e espontâneo, além de que é incomparável e muito suculenta. Os pratos, com a adição de farofa, ficam muito mais gostosos e saborosos. Não consigo resistir a uma boa farofa, ainda mais, desculpa a propaganda, se for da Yoki.
A farofa é formada por vários grão de cerais diversos ou coisas moídas, e dependendo da sua fabricação tem um sabor e textura diferente. Minha preferida é a farofa de mandioca. Muita gente adiciona algumas coisas à farofa, como uvas passas, bacons, vegetais e outros que dão um toque especial a coisa. Prefiro ela pura mesmo misturada em boa quantidade com meu feijão e arroz.
Coisas boas podem ser formadas com farofa, como o Tutu de feijão, ou viradinho, que é muito bom. Há diversos pratos e maneiras de se aproveitar a farofa, pois ela, consegue solidificar e formar uma pasta com os líquidos, engrossando o caldo do feijão por exemplo, entre outras funções culinárias que não são interessantes o suficiente para serem faladas, mas somente para serem saboreadas. A farofa se mistura com os componentes, e se enfia no meio dos grãos, nos vãos das carnes, no caldinho do feijão, e em todo lugar que houver um espacinho para ela se enfiar. Que ousadia essa a da farofa. O resultado é uma explosão magnífica de sabor.
Há também, com o uso da palavra, os farofeiros. Não tem nada a ver com a farofa em si, mas com a palavra somente, e ainda bem, pois iriam sujar o nome tão belo da farofa. Farofeiros são aqueles que chegam sem avisar, gastam tudo, sem ligar para nada, sujam, aproveitam e usurpam cada milímetro do lugar, geralmente a praia. Eles não são bem vindos, nem vistos com bons olhos. Na verdade são muitas vezes chingados. Ninguém gosta deles, talvez nem eles mesmos. O problema com eles é que não ligam para os outros, somente para a sua própria farofa. Que grande deturpação e distorção da beleza que é comer a farofa!
Parando com o momento Ana Maria Braga do texto, terei de falar algo de útil aqui. Minha mente totalmente viajada, no bom sentido, e louca, desmiolada e alucinada, tem pensado algumas coisas sobre a farofa. Coisas que são relevantes, comparações, e até indagações sobre temas um pouco mais complexos do que cereais moídos em pequenos grãos deliciosos. A farofa tem um tempero, como disse antes, dá um gosto especial para a vida.
Se compararmos a farofa com a realidade do Reino, veremos que Nosso Pai é a fonte de toda farofa. Sendo assim, nós também temos que difundir essa farofa ao redor do mundo. E também teremos que ser farofa para as pessoas, principalmente as como eu que são apaixonadas pela coisa. Essa é uma comparação básica ao versículo que nos compara com o Sal da Terra. Nas propriedades da farofa, devemos saborear a vida, dar um toque especial, e solidificar aquilo que está solto e sem forma, dar consistência ao que não possui consistência. Dando o gostinho especial da farofa, que faz a comida ficar irresistível e altamente nutritiva. Bom, sendo assim, como farofa, difundiremos Deus, e sendo como Ele é, e mostrando dEle pra outros, temperaremos nossas vidas com o amor de Deus que é fonte de toda Vida.
Há o outro aspecto da farofa que é o de se enfiar nos lugares. A farofa se espalha, e é isso o que permite ela tornar a comida tão saborosa. Então, se nos espalharmos, formos aos lugares, e realmente procurarmos responder ao chamado de Deus de sermos Filhos, seremos farofa e temperaremos a vida de outras pessoas com isso, ajudando os outros com o amor de Deus. O importante é que para isso devemos ter Deus em nossas vidas, e devemos nos entregar a Ele, para sermos moídos e processados devidamente, até nos tornar-mos verdadeiras farofas. Muito interessante isso.
Há alguns pontos ruins nisso, o exagero da farofa, quando mal medida, pode secar a comida. Portanto, não podemos querer ser farofa em excesso, mas deixar Deus medir isso. Deixar Ele controlar as coisas, a quantidade, e todo o processo que nos envolve com a vida das pessoas e do mundo. Ser Sal, luz ou farofa depende da nossa vontade de seguir a Deus, encontrar sua vontade e se agarrar ao que Ele quer. Com muita farofa mal medida, a comida fica extremamente seca, e sem gosto. Com uma abundância de boa medidas de farofa, vindas da fonte de toda farofa, nada fica com gosto ruim, o sabor é garantido assim como a nutrição que Ele nos proporciona.
Cuidado com os farofeiros. Esses que dizem estar em nome da farofa. Na verdade só querem saber deles mesmos, e não respeitam nada. Em vez de serem farofas para os outros, ou querem guardar a farofa para si mesmos (o que não conseguem, visto que a farofa só é existente quando divida com os outros), ou produzem uma falsa farofa, segundo sua sabedoria falsa, que na verdade é veneno. Farofeiros existem aos montes por aí, mas ao contrário dos citados anteriormente, estes estão mascarados e escondidos, e as pessoas ainda não os reconhecem, muito menos reconhecem suas bandidagens. Há muitos tentando falar em nome do Reino, mas na verdade falam por si mesmos, e levam pessoas a um caminho longe de Deus e da fonte de vida.
Deus quer que falemos no Seu nome, que pode dar vida para todos, quer que sejamos como Ele, e a medida que temos um relacionamento com Ele, poderemos com mais eficiência fazer o que Ele quer que façamos. A comparação com a farofa é só mais uma, dentre as muitas possíveis que podem existir para mostrar figurativamente o que Deus faz conosco quando nos aproximamos dEle. Deus nos faz semelhantes a Ele e assim capazes de difundir Seu nome entre as nações. Somente seu nome é bom, e unicamente capaz de nos tornar pessoas melhores, e com a paz. A Terra precisa de Deus, nós devemos fazer esse trabalho, com a liderança do único Deus. Portanto, é que loucamente anuncio também a verdade que está somente em Jesus Cristo ressuscitado, o Deus verdadeiro. E que nosso Pai dê a capacidade necessária para isso, afinal Ele é a fonte de toda boa, saborosa, e inigualável farofa.

sábado, 5 de abril de 2008

Victory is won

Um clipe do Carlos Santana, ótimo guitarrista. Bota pra tocar, relaxa, essa música faz pensar muito, é muito bonita. Bom, é só. Anime-se!

terça-feira, 1 de abril de 2008

Perturbações

Por que está abatida ó minha alma?
Por que te perturbas dentro de mim?
(Salmos 42:5a)
Você se sentiu perturbado alguma vez? Lógico que sim, essa é uma pergunta estúpida. Todos ficamos perturbados, angustiados, decepcionados alguma vez na vida. Mas você já se sentiu como se sua alma tivesse sido abatida por um caminhão, ou se como você estivesse encurralado numa sinuca de bico, sem ter nenhuma saída? Agústia profunda, desespero, extremos de realidades e vidas que precisam de ajuda interior urgentemente.
Às vezes nossa vida pode não ter uma certa bonança. É sobre isso justamente que quero falar. Perturbações no nosso caminho, turbulências talvez, mas eventos que nos deixam abalados, e que põe em risco a nossa integridade, nossa estabilidade e nossa alegria. Coisas comuns ou nem tão comuns. Pessoas, relacionamentos, desastres, trabalho, acidentes, acontecimentos sem explicação e muitas outras coisas que simplesmente acontecem, abalando nossa alma. É aí que a paz que existe dentro de nós é botada a prova, e nosso ser realmente é testado, ironicamente, para o nosso melhor. Dífícil crer nisso em meio a perturbações.
Talvez a maior perturbação existente, pelo menos para mim, é a perda da confiança de alguém. Não é de se admirar que esse é meu maior medo também. Coisas assim me deixam seriamente perturbado. A confiança que temos uns nos outros, como humanos, criaturas de Deus, é todo o reflexo da bondade, misericórdia e graça vinda dEle para nós. Nos nossos relacionamentos nós nos perdoamos, choramos rimos juntos, fazemos diversas coisas contando com a honestidade sincera vinda de cada um, e ainda mais, nos entregamos em favor do outro. Isso só pode existir se um sentimento for presente antes. A confiança.
Das perturbações corre-se o risco do desequilíbrio. E da perda do equilíbrio, vem a queda. É mais fácil cair quando a gente fica instável, desmotivado, triste e angustiado. Por isso que isso é tão ruim para nós. Podemos até nos afastar de Deus em uma dessas. Nosso relacionamento com Ele pode ser fragilizado pelos problemas que passamos, se não soubermos lidar com eles de forma apropriada. Mas então o que fazer para não desesperar? Que atitude tomar? Por que ficamos assim, tristes, angustiados? Aonde está o nosso Deus nessas horas? Por que nossa alma fica, está, assim, abatida? A alternativa a correr, e único motivo de vida, está escrita no restante do versículo mencionado no começo deste texto.
Espera em Deus, pois ainda o louvarei,
a Ele, meu auxílio e Deus meu.
Pode isso ser mais real? A única alternativa é correr para justamente aquele a quem questionamos. "Por que comigo Deus?", "Aonde esteve você?". Esses e muitos outros questionamentos interiores nos enchem de dúvidas sobre a presença factual de Deus em nossas vidas e a atuação desta em nossa alma. Não adianta de nada a relutância aos fatos, de que precisamos constantemente desse Deus. E que não somos nada, e Ele faz o que quer conosco, afinal ele é o SENHOR de tudo, Rei do Universo. Mesmo em tribulações, perturbações, ou qualquer problema que seja, Ele se mostra interessado em participar, ajudar e oferecer amor. Porque esse Deus é gracioso, misericordioso e perdoa o pecador. Precisamos dEle o tempo todo, a todo momento. Talvez esperar em Deus possa parecer o clichê mais falado, e até inútil de comentar. Mas mostra resultado. Mostrou a mim, e sempre mostrará. Mas esperar não é simplesmente esperar o tempo passar e falar: "foi vontade de Deus" ou "o melhor aconteceu". Esperar em Deus é realmente se entregar à Ele, dependendo totalmente do favor desse Deus maravilhoso e incompreensível.
Eu preciso dEle agora, e precisarei sempre. Em todos os momentos, quer perturbados ou não. Cada instante na presença dEle vale mais do que mil em qualquer outro lugar. E eu estranhamente sei que tudo estará muito bem com Ele. Esse sentimento, da renovação da paz, ainda que por sobre um tremendo e agitado mar. Meus sentidos eu entreguei à Ele. Toda a minha confiança é dEle. Confaiança que prezo mais que tudo, e admiro com um belo por do Sol, ou como as muitas estrelas numa noite ou ainda como aqueles cachorros de desenho animado em frente ao frango da padaria. Todo o meu amor, e qualquer outro sentimento, está ao pés de Deus. Porque em meio aos problemas Ele me trouxe a solução, em meio a escuridão Ele me trouxe luz, em meio à perturbação ele me trouxe paz.
Como suspira a corça pelas correntes das águas,
assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma.
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo;
(Salmo 42: 1 e 2a)

domingo, 23 de março de 2008

Ressurreição

res.sur.rei.ção s.f.(a) 1. Ação ou efeito de ressuscitar; ressuscitamento.// Ressusrreição s.f(a) 2. Ascenção de Cristo depois de sua morte e sepultamento. 3. Quando que representa essa ascenção.
res.sus.ci.tar. v.t.d 1. Fazer voltar à vida. 2. Adotar novamente.// v.i. 3. Voltar a vida. 4. Reaparecer, ressurgir.
Essas são as definições do dicionário para o termo Ressurreição e seu verbo. Guardamos esse dia, o feriado, para falar disso. A páscoa, para nós, além dos ovos, chocolate, coelhos e tudo o mais, significa também, ou principalmente, ou unicamente, a ressusrreição de Jesus Cristo. Falar que o povo se esqueceu desse fato e o banaliza, que devemos nos lembrar e outras coisas do gênero é comum hoje em dia com autores cristão. Não vou fazer isso.
Vou discursar sobre o assunto, como se fosse qualquer outro. Como se estivéssemos falando do almoço de anteontem na casa de sua tia que tem um restaurante, cujo os pratos são muito famosos. Ou ainda falando sobre qualquer outro assunto, que tenha seu relativo interesse à nós. Ou até mesmo falando sobre o nosso futuro, como se nossas vidas dependessem dessa conversa. Prefiro crer que, a terceira opção é a mais plausível e acredito que é a que consequentemente leva-se mais a sério. Sim, prefiro pensar que essas palavras farão alguma diferença no nosso futuro, afinal palavras de alguém a mim sobre esse assunto já fizeram diferença na minha vida. Como um discípulo talvez, devo repassar essas palavras.
Refletindo um pouco sobre a palavra, não é difícil descobrir que o prefixo "re", que significa repetição, aparece e é o que faz a palavra ter força. Se ressurreição é voltar a vida, com certeza esse alguém já teve vida. Mas vamos sair da superficialidade. Faz alguma diferença Cristo ter ressuscitado ou não? O que muda? Se Cristo ressuscitou, então todas as suas palavras são tidas como verdade, e sua missão foi cumprida. Agora, se não, ele foi só mais um homem muito bom, com muitos ensinamentos bons sobre liderança e com uma falha em se achar o filho de Deus.
Mas porque alguém iria provocar tanto os romanos, e ainda mais os fariseus, líderes religiosos da época? Qual a utilidade de criar uma mentalidade sem violência e se proclamar o cara que irá libertar o povo, o Messias profetizado antes nas escrituras judaicas? Só um homem louco poderia ter feito tudo isso, passado por tanto sofrimento, enfrentado tanta gente, confrontando até mesmo o próprio Diabo, e ainda sim não desistir, sucumbir, nem deslizar um minuto na sua missão. Só um homem louco faria tudo isso, ou o verdadeiro Filho do Deus Vivo, o verdadeiro EU SOU. Mas um homem louco não ensinaria tanto a um povo, fazendo permanecer suas palavras por mais de 2 milênios, de geração a geração, e ensinamentos atuais e verdadeiros para uma vida melhor, com animo e fôlego para enfrentar cada duro dia de trabalho, problemas, e alegria para viver os dias em felicidade e harmonia. Creio que Jesus era o verdadeiro Filho, vindo do verdadeiro Deus.
O que confere poder ao ensino de Jesus? O que o distingue dos ensinos do Alcorão, de Buda, de Confúcio? O Cristo ressurreto. Por exemplo: Se Jesus não ressuscitou, podemos com segurança elogiar o Sermão do Monte como um tratado extraordinário de ética. Se, porém, ressuscitou, tal elogio não faz a menos diferença. O sermão torna-se o retrato de nosso destino final. O poder transformados da Palavra reside no Senhor ressurreto, que sustenta esse poder. Permita-me dizer outra vez: o poder dinâmico do evangelho flui da ressurreição. quando pela fé aceitamos plenamente que Jesus é quem afirma ser, experimentamos o Cristo ressurreto. A escritura apresenta somente duas alternativas: ou você crê na ressurreição e crê em Jesus de Nazaré, ou não crê na ressurreição nem crê em Jesus de Nazaré.
(Brennan Manning - O obstinado amor de Deus - Cap. 12: A fé da ressurreição)

De novo pergunto, qual diferença faz Jesus ter ressuscitado dentre os mortos? Foi por você que ele sofreu, foi espancado, foi mutilado, preso no madeiro, rejeitado, cuspido, e muitas outras coisas cruéis. Foi por você que ele veio, falou sobre liberdade, sobre paz, amor, ética, e sobre Salvação. Foi por você que Ele veio ao mundo nos dar esperança, tudo por você. Ele se entregou, morreu, e em 3 dias ressuscitou, para que você, eu, e todos os que nEle crerem ressuscitássemos também. A ressurreição veio dar sentido a nossas vidas presas em monotonia. Ela veio dar liberdade para nós sermos quem realmente somos, sem ter nada a esconder de ninguém, sem temer as trevas, andando na luz. A Ressurreição trouxe-nos propósito de vida. Todo o ensinamento de Jesus é centrado nisso, que Cristo veio para que nós tivéssemos vida, e vida em abundância. Ressurreição é a concretização da Salvação, e salvação significa a verdadeira vida.
O enigma sombrio da vida é iluminado em Jesus; o significado, o propósito e o alvo de tudo o que nos sucede, e o modo de fazer que tudo valha a pena só podem ser aprendidos com o Caminho, a Verdade e a Vida.
Viver consciente do Cristo ressurreto não é uma busca fútil para o entediado e solitário, nem um mecanismo de defesa capacitando-nos a enfrentar a tensão e a tristeza da vida. É a chave que destranca a porta da percepção do significado da existência. Todos os dias, o dia todo, estamos sendo reformados segundo a imagem de Cristo. Tudo o que nos acontece é projetado para esse fim. Nada que exista pode existir fora dos limites da sua presença. ("...todas as coisas foram criadas por ele e para ele", Cl 1:16); nela nada é irrelevante, tudo adquire importância.
(Brennan Manning - O obstinado amor de Deus - cap.13: A liberdade da ressurreição)
Que então, nesse dia de páscoa, ou lembrando ele, ou então lendo sobre que um dia escreveram sobre ele, enfim, que você se lembre do Cristo ressurreto, que trouxe-nos a salvação e a percepção da verdadeira vida. Cada minuto que vivemos, cada ato que fazemos, cada palavra que proferimos, cantamos ou gritamos, cada passo que damos, cada pingo de água que cai sobre a terra, cada fluxo de magma que é extravasado para a superfície, cada grão de areia, cada animal vivo, cada planta, tudo está perante Ele e diante de seu ato de maior importância, o seu ressurgimento. O ato da ressurreição não quis dizer simplesmente que estaríamos aptos a também viver novamente em Deus, mas que tudo e todos, estão sujeitos à esse Deus, que se fez criatura a ponto de ir em direção à morte e vencê-la por amor à sua imagem e semelhança. O motivo de Jesus ter nascido, vivido, sofrido, e ressuscitado foi somente para revelar o significado real da vida, o real propósito e que tudo está centrado em Deus. E por amor a nós, nos deu vida e vida em abundância. Entendendo esse significado, entenderemos a vida, e entenderemos que Ele nos deu o que tanto precisávamos, o que tanto ansiamos, e muitas vezes passamos desapercebidos. A ressurreição de Cristo é o ato supremo de nossa nova vida, o limiar da nossa nova e abundante existência em Deus. Ao descobrirmos isso, poderemos então resumir tudo o que foi nos dado de graça e sem merecimento a uma simples palavra: redenção.