quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um outro mundo

Sonhamos com um mundo perfeito, dos sonhos, aonde tudo ocorra em nosso favor. Um mundo com lugares lindos, flores e jardins, calçadas brilhantes e roupas bonitas. Um lugar aonde não haverá dor, um mundo em que as tristezas não entram e que somente coisas boas acontecerão. Como seria bom viver nesse mundo! É o que muitos pensam hoje, porém poucos acreditam com afinco. A maioria de nós pensa por um segundo, degustam as melhores imagens que poderiam imaginar, mas depois voltam a tão falada "realidade". Mas, será que esse outro mundo pode existir mesmo? É possível não haver guerras, só paz, não haver inimizade? É possível o amor reinar o tempo todo sobre todo o tempo?
Ultimamente tenho me questionado muito sobre isso. Por que sofremos? Por que coisas ruins acontecem conosco? As coisas não são das melhores aqui, temos fome, aflição, injustiça e tudo o mais. Andamos por muitas vezes perdidos no meio do nada. Semana passada me vi andando sem rumo e sem direção por alguns segundos, simplesmente perdido, por conta de um estado negativo, ou melhor, a falta de felicidade. Sim, essa coisa que damos o nome de felicidade interfere muito quando pensamos nesse outro mundo. E nos dias que se passam a felicidade tem estado tão longe do mundo, não? Aonde é que foi parar esse tal de "Outro Mundo" então?
A resposta é quase que retórica. Na felicidade. Somente com felicidade é que temos a chance de ver de verdade esse outro mundo que se apresenta a nós. O problema é que excluímos tanto a felicidade, a real felicidade, de nossas vidas que dificilmente conseguimos enxergar alguma coisa boa. O segredo é felicidade, independentemente de tristeza ou alegria, mas sim a felicidade que nunca vai embora, que envolve e que nos faz por vezes até um pouco idiotas. Essa é a felicidade que busco, e que irá me fazer perseguir esse outro mundo.
Então estou falando que o "Outro Mundo" existe realmente? Sim! Ele existe e digo mais, ele existe aqui mesmo, e esteve debaixo dos nossos narizes o tempo todo! Na verdade são pistas para algo mais pleno e completo, mas é possível ver e viver sim! É um mundo de esperança, de sonhos, e principalmente, é repleto de uma nova e magnífica visão da realidade. Viver nesse outro mundo muda totalmente o modo como encaramos a realidade de nossas vidas. Quando passo por problemas, quando minha vida desmorona, quando tudo vai muito mal, o que me faz levantar a cabeça e seguir em frente é esse outro mundo. Há uma esperança que nos enche a cada dia e dos dá o fôlego para continuar acreditando. E o interessante é que, independentemente se eu acreditar nele ou não, ele irá continuar existindo e influenciando minha vida.
Engraçado que esse outro mundo não está preso a algum lugar específico ou a momentos e palavras distintas. Ele é livre. Livre para estar no coração das pessoas, e morar ali junto a elas, influenciá-las e ajudar todas elas a viver. Tão livre quanto o canto dos pássaros de manhã, quanto a chuva que vem e vai a hora que quer, quanto o vento que sopra para aonde quer, mas ninguém sabe para aonde ele vai e nem de onde ele veio. É essa liberdade que o faz tão maravilhoso. Nada mais é forte para nos tirar a felicidade quando estamos realmente firmados nesse outro mundo e o vivemos plenamente. O "Outro Mundo" existe com toda força e é tão real quanto cada movimento que fazemos durante o dia. Se o vemos ou não, é uma questão de ótica.
Acredito nesse mundo e sei que muitos outros acreditam também. E é isso que esse mundo novo faz mesmo, une as pessoas que acreditam. Quando converso com pessoas que desejam um mundo melhor e lutam por isso, quando conheço pessoas que têm experiências maravilhosas e reconhecem uma direção em tudo, tudo isso faz parte do outro mundo. Aliás, paremos de o chamar de "Outro Mundo" porque ele na verdade é o mundo real agora. Tão real que o podemos sentir, e perseguir e encontrar isso em outras pessoas.
O que me deixa feliz é que encontro esse mundo dia após dia vivo e flamejante em outras pessoas. Pessoas que têm se mostrado únicas para mim e pessoas as quais não me verei sem jamais. O que nos faz partilhar sonhos e experiências de uma forma tão viva é justamente o laço que nos une, o mundo por trás do mundo. E são pessoas que os sonhos se tornam similares e interessantes, os desejos se assemelham ainda que sejam diversos, o propósito e plano para a vida se torna um só. A partir disso não somos mais pessoas espalhadas aqui ou ali, em universidades, escolas, empresas, escritórios e consultórios. Somos um só, parte do mesmo corpo, do mesmo mundo. Nós que fazemos o nosso mundo existir aqui. Somos como um reino em que cada um de nós se faz um príncipe, uma princesa, um servo, um herói, dançarinas, cantores e cantoras, músicos, atores, médicos, advogados, ferreiros, cartunistas, e enfim, de tudo onde seremos simplesmente iguais, e simplesmente diversos. Nós podemos fazer parte sim desse Mundo Novo, o qual chamo aqui de novo pois é diferente do que nos é apresentado todos os dias pela TV, jornal e etc. A esperança, a felicidade, e principalmente o amor nos unirá. Seremos um Reino, regido por um Rei somente, e viveremos ele em parte aqui na Terra, e em parte no paraíso aonde andaremos com o Rei e viveremos na plenitude dos tempos. O que tentei escrever aqui foi um pouco do que acredito ser a realidade hoje para mim. O que fica é o convite para viver pra valer essa realidade.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Lixo


Lixo, lixo e mais lixo. É o que a gente vê as ruas, na nossa casa, na casa do amigo e em todo lugar que a gente for. Talvez em quantidades diferentes e em estados bem diferentes, uns mais suportáveis que outros e outros quase impossíveis de se ver e principalmente cheirar. O lixo fede, é ruim, nojento, causa má impressão e nos envergonha. A primeira coisa que fazemos quando convidamos alguém para nossa casa é certificar se tudo está limpo, em um estado apresentável, ou seja, nenhum lixo visível. Nunca queremos deixar nossa casa suja e por mais que algumas almas de porco que existem por aí gostem do lixo e de tudo desarrumado, ainda assim ele causa má impressão e não é de bom gosto para a maioria de nós.
O interessante é que produzimos lixo, constantemente, e muito! Nossas maiores cidades tem um montante imenso de lixo que não pára de crescer. São Paulo, capital Paulista, já aterra o lixo produzido nas cidades vizinhas, dado à superlotação de lixo nos seus aterros dentro da cidade. É muito lixo! Tudo o que fazemos, comemos, transportamos, adquirimos, consumimos e entre outras coisas produz lixo. Chego assim a uma conclusão simples de que só pelo fato de existirmos no mundo nós já produzimos lixo. Somos máquinas produtoras de lixo ambulantes que trabalham a todo vapor 24 horas por dia sem ligar se estamos fazendo o bem ou o mal com isso. É simplesmente impossível ser diferente. Talvez alguns produzam mais ou menos que outros, mas todos, sem exeção produzem lixo.
O lixo é uma coisa que está atrelada intimamente à nossa natureza. Somos assim e ponto final. Qualquer tentativa de ser diferente ou protestar contra isso seria loucura. O que realmente nos difere uns dos outros é o que fazemos com todo esse lixo que produzimos. Imagine sua casa, e que você produz lixo todos os dias, numa quantidade razoavelmente boa para você não conseguir carregar por você mesmo. O que fazer? É uma questão óbvia, colocar na lixeira. O lixo deve ser jogado fora para que nossas casas fiquem limpas e apresentáveis e o importante é não deixá-lo acumular demais. É isso que nos diferenciará dos demais, se jogamos o nosso lixo fora ou não. E chego a pensar que esse é o ponto crucial da nossa vida, se jogamos ou não nosso lixo fora.
Algumas pessoas deixam tanto lixo acumular em suas casas que não conseguimos nem ver mais a pessoa, só o lixo. E como o lixo é algo tão desprezível e nojento para nós, acabamos por classificar essa pessoa assim, como lixo, erroneamente. Tudo porque o lixo é só o que conseguimos ver. Muitas vezes também a nossa própria vida corrida não nos permite jogar fora o lixo, separar o que é reciclável ou não e limpar a casa frequentemente. É aí que ficamos sujos também, e nunca conseguiremos limpar de fato tudo pelas nossas próprias forças. Caímos no mesmo erro então, não jogar o lixo fora. E o mais perigoso ainda é quando nos olharmos no espelho e só vermos o lixo que deixamos acumular e então considerarmos nós mesmos como lixo, caindo num abismo que só uma coisa extremamente milagrosa poderia tirar a gente de lá.
Como disse, existem dois tipos de pessoas, as que tiram o lixo pra fora e as que não o fazem. O que fazemos com isso é problema nosso, e só nosso. Nosso lixo pertence a nós e cabe a nós e não outras pessoas limpá-lo. E não, não há exeção, TODOS produzem lixo. Se deixam acumular ou não aí é outra questão. Com certeza pelo menos uma vez passaremos por fazes em que deixaremos acumular o lixo e fazes de completa limpeza e leveza, e aprenderemos com a experiência. Porém as vezes não poderemos realizar a limpeza com nossas próprias forças, pois teremos tanta sujeira acumulada que nem todo alvejante do mundo nos limparia. Mas ainda há uma chance que sempre existe de termos de graça uma limpeza total.

terça-feira, 10 de março de 2009

Ainda em Férias!

Gente, agradeço a todos que tentaram ver se alguma coisa era adicionada, se um novo post saía, mas ainda estamos em férias! Férias para refrescar a mente e encher de conteúdo pra continuar escrevendo essas loucuras que escrevemos para vocês, para nós e para todo mundo. Por enquanto, fiquem na espera! hahaha!
Mas as férias acabam com certeza...

semana que vem vou escrever sobre alguma coisa...tenho pensado muito em lixo...

agradeço a compreensão.

até

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A Virada

Vi uma vez num filme que todo truque de mágica consiste em 3 passos. O primeiro chama-se A Promessa, e é o mais fácil de ser executado. Nele, o mágico demonstra o que irá fazer e fala à platéia a existência do seu truque, sua essência. Ainda não o realiza, só coloca a platéia a par do que ele irá realizar. O segundo passo é o que dá a verdadeira mágica para o truque. Chama-se A Virada, e é o momento onde o mágico surpreende a platéia, mudando o rumo de seu truque com alguma coisa que desaparece, ou que é cortada ao meio, ou não se encontra como deveria. É o momento onde a platéia se enche de atenção e esperança, pois é o ápice da mágica e tudo aponta para a realização do truque e seu sucesso. Nesse ponto do truque todos os conceitos que a platéia tem sobre o truque são jogados por água a baixo e o "chão" de todos cai, para então vir a última parte do truque. Esta é chama de The Prestige, ou O Grande Truque. Nesse ponto o mágico surpreende a todos, finalizando o truque, fazendo aparecer o desaparecido, juntando o que foi despedaçado ao longo do truque, fazendo aparecer um novo pássaro, e enfim, tendo o sucesso esperado pela platéia e com certeza, muitos aplausos.
Talvez esse ano que se passou tenho sido parte de um truque. Talvez no começo do ano tenhamos feito promessas, planejado, sonhado e com certeza colocado nas nossas listas de desejos mais esperados. Acho que serei bem realista em falar que muitos desses sonhos, desejos e planos não foram realizados não? Toda essa primeira parte do truque, A promessa, talvez tenha ido por água a baixo durante o seu ano, ou pelo menos alguma parte dela. É nesse momento, onde o chão da platéia, todos os conhecimentos prévios dela e tudo o mais que ansiamos de truque tenha ido por água a baixo. Essa platéia somos nós, que esperamos uma coisa do ano que se passa, mas não conseguimos, ou então não sabemos como conseguir mais, e nossas forças chegam quase ao fim. Esse momento é o chamado de A Virada. Algo familiar?
No momento da virada, seja do truque, ou do ano, relembramos aquilo que se passou. Dificilmente nos anos que se passam conseguimos fazer tudo o que desejamos, e sempre lembramos de muitas coisas ruins que se passaram e vêm a nos atormentar, os nossos esqueletos do armário. A virada consiste em deixarmos para trás tudo o que acreditamos existir, e nos libertar dos nossos medos e tudo o mais que impeça a realização do truque e o prazer que iremos ter em tal realização. Esquecer do que as promessas que fizemos geraram em nós, sentimentos de aflição, anseio e turbulências passadas. Esquecer de tudo o que fomos, na virada, é essencial para o final do truque, o sucesso e realização do mesmo.
Ansiando sempre o final do truque é que devemos caminhar, mesmo que em meio a tempestades e outras coisas que deixam nossos corações apertados e sem razão de continuar. O grande truque, o prestígio, o sucesso, pode vir depois da virada com certeza. O que temos que fazer é simplesmente esperar, pacientemente, o grande mágico acabar com o truque, realizar seu ato supremo em nossa vida. É assim que espero virar meu ano, e viver minha vida, onde nos momentos de virada sempre posso me apoiar em algo maior que é eterno e duro para sempre. E ainda tendo a certeza de que a última parte do truque há de se realizar o prestígio, tudo aquilo que tinha como prometido, sonhado e desejado, no momento certo, da maneira certa. Esse sucesso porém só vira depois que eu aprender direito o que tenho como prometido, entender meus sonhos e amadurecer minhas idéias. É quando temos o descanso merecido, o verdadeiro prazer e realmente o sucesso verdadeiro, dado é claro pelo mágico realizador do truque, que não não, não somos nós.
Assim nunca poderei esquecer que todo Truque,(afinal nossa vida não passa de uma grande parte de uma maravilhosa mágica celestial e univeral, e com isso temos a garantia de uma felicidade quando nos voltamos ao qual eu chamo neste post de O Grande Mágico, ou seja, o Criador de todos nós e Senhor da minha vida). Todo Grande Truque constiste em 3 partes: A promessa, onde lançamos mão de sonhos, colocamos o que desejamos e ansiamos na mesa. A virada, onde nos surpreendemos e tudo o que acreditamos desaparece, onde amadurecemos e aprendemos o que deve ser aprendido. O Grande Truque, ou, O Prestígio, onde nos surpreendemos ainda mais quando tudo dá certo e tem um fim. Talvez nossos truques demorem para ter um fim, mas sempre serão essas 3 partes, e sempre iremos nos surpreender e aprender mais no momento que se segue, e que comemoramos com o mesmo nome todos os anos. E esse momento se chama A Virada.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Retrospectiva 2008

Esse é o nome do programa que foi transmitido semana passada pela Rede Globo, e que já é uma tradição da emissora há anos. Ao acompanhar a produção do mesmo deste ano, percebi que todos os destaques do ano tinham algo em comum - nenhum deles conseguiu tirar um sorriso do atento telespectador. Só 'desgraça'. O que poderia ser visto como mais positivo colocava o Brasil em trigésimo nono lugar com 17 medalhas de ouro, 21 de prata e 38 de bronze nas Olímpiadas Beijing 2008. Algo até mesmo 'engraçado'. As outras reportagens eram todas tristes e desastrosas. Pai e madrasta acusados de matarem uma criança. Policiais matando inocentes 'a torta e a direita'. Tragédias ambientais que deixaram muitos mortos e outros desabrigados. O genocídio cada vez mais agravante em regiões da África. Uma situação financeira mundial totalmente comprometida. Presidente de potência mundial levando sapatada de oriental indignado. Toda essa envolvente situação de desgraça e de miséria humana, como disse Veja na semana passada, "desafia o sentimento cristão e o simbolismo do Natal". Se não desafia, deveria desafiar, colocar em cheque, e fazer-nos pensar em tudo isso. Pois se isso não acontece com cristãos, com aqueles que não são cristãos, sem dúvida, acontece. Estes questionam a existência de um "Deus" criador e bom em meio a tanta desgraça e desigualdade. Os que não questionam, consideram esse "Deus" uma pessoa ou algo ruim, pois é capaz de deixar coisas ruins atingirem inocentes. Nós, cristãos, temos a resposta na ponta da língua para estes, é claro. E temos que ter mesmo, pois é nossa fé que está em cheque. O que respondemos é que nós, os homens, escolhemos pela independência de Deus, do Criador. E, a partir daí, até mesmo inocentes serão atingidos pela maldade humana. Deus nos deu a escolha, e optamos pela independência. Mas essa situação foi modificada em Cristo, pois este trouxe ao homem perdido e 'independente' uma nova conectividade com o Deus Pai, Criador. Uma nova possibilidade de relacionamente com Deus. Uma oportunidade de mudanças de pensamento, do que é ruim para o que é bom, é a fé dando frutos. Essa é a nossa explicação para os que questionam e até mesmo duvidam de Deus por causa da maldade, miséria e desgraça atuais. E isso é verdade. É nisso que acreditamos. É fé. É certeza. É real para nós, cristãos. Mas sabe por que eles se tornam cada vez mais incrédulos e frios quanto a Deus? Porque não estão vendo os cristãos que tanto falam, falam e falam, agirem em prol da humanidade, pelo bem político, social, financeiro e humanitário das pessoas deste mundo. O que eles vêem são nações cristãs preocupadas com seus bens, riquezas e enriquecimento exacerbado. Países cristãos matando seus semelhantes para conseguirem status mundial e mais poder. Não só a retrospectiva feita pela Globo, mas aquela que todos nós fizemos ou faremos deste ano de 2008, nos mostrará tristes e angustiantes realidades. Diante disso, muitos questionarão ou contuinuarão a duvidar de Deus, e outros ainda o tacharão de cruel, insensível, ruim. Essas realidades devem desafiar não nossa fé, mas nossas atitudes cristãs humanitárias e sociais e não apenas aquelas que são 'passivas' mesmo que sejam importantes. Nossas atitudes cristãs devem ser desafiadas, a fim de não "abandonarmos a razão e cedermos ao horror". A fé e razão devem andar sempre juntas. Assim, a perspectiva para 2009 não será colocada apenas sobre um suposto bom presidente da maior potência mundial, mas todos teremos perspectivas melhores baseadas nas atitudes individuais de cada um. Seremos pessoas ativas e pró-ativas e nao ativistas, a fim de que o mundo seja melhor, a vida seja melhor e o Bem vença. Pense: Qual a minha perspectiva para 2009? Onde entra minhas atitudes nessa história? Como posso fazer diferença? Uma retrospectiva, por mais que seja ruim, sempre exige ou implora por uma boa perspectiva.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Os dois irmãos

Bom, essa é uma história daquelas que você pode contar aos seus futuros netos, numa rodinha, ou perto de uma laleira em momentos de paz e de lembranças. Ela é uma história em que existe uma moral, um lição, personagens e como sempre e de costume, um que faz o certo e outro que faz o errado. Para explicar melhor e com poucas palavras é um causo que um cara se dá bem e o outro se ferra, basicamente. Alguns podem achar engraçado, principalmente quando souberem todos os detalhes, e outros podem achar ridículo ou maluco. Fazer o que? Esse é meu objetivo mesmo, não tenho intenção de escrever textos que gerem comodidade, ou que não causem o mínimo de estranheza em nossas mentes robotizadas e normalizadas com o que chamamos de trivial e eventual. Mas então, mais uma vez, senta que lá vem história!

"A história se passa numa segunda-feira chuvosa e muito atípica. Onde dois irmãos se encontram, depois de manhã e tarde de estudos, para um evento que vão todas as segundas, e tradicional futebol da semana. Como é dia de chuva, o irmão mais velho já desanima, pois não vê em todo o seu caminho de volta de onde estava, a possibilidade de aquela chuva parar a tempo de ele e seus amigos se divertirem jogando o mais famoso esporte brasileiro, o futebol. É por isso que vai para casa desacreditado e cético, quanto à possibilidade de uma diversão saudável e eficaz para sua forma e estado físico e também mental.
Ao contrário de seu irmão cético, o irmão mais novo tem atitudes muito diferentes. Quando seu irmão chega em casa, ele já está arrumado para o futebol, pronto para jogar e ir até a quadra para dar um show de bola nos demais. Mas as condições ainda não são favoráveis para ele, pois ainda está chovendo e sem indícios de parar. Os dois irmãos discutem sobre a possibilidade de não haver o futebol, de seus amigos não irem, e de ainda estar chovendo, e, visto que a quadra é aberta, esta estar toda molhada. Depois de muito falar, discutir e teorizar, os dois decidem ir até o local para ver no que dará. O mais velho o tempo todo relutante à possibilidade de ele dar uns dribles e uns passes errados naquele dia.
Pois então chegam ao local. Ainda chovendo. O irmão mais velho dá uma de "aha! eu não disse" e ameaça ir embora, pois não haverá futebol se continuar chovendo. Porém o mais novo em todo tempo permanece fiel à possibilidade de haver a partida de futebol, pois acredita que a chuva vai parar e ainda que a quadra irá ter o devido tempo e condições de secar. Não sei se comentei antes, ou se vou ser repetitivo, mas o irmão mais velho ainda está cético e não acredita em possibilidade nenhuma de haver um futebol.
É então que tudo começa a acontecer rapidamente. A chuva vai parando. Os meninos começam a secar a quadra. Os irmãos discutem. O mais novo diz que vai dar pra jogar e secar a quadra, e o mais velho desacretidado, nem liga, quer ir embora. É aí que a história tem o auge, e que a atenção especial aos fatos é requerida.
- Você já ouviu a parábola dos dois lavradores? - diz o irmão mais novo quando o mais velho fala que está indo embora.
- Não quero saber, eu sei essa parábola, vamos embora.
- Você sabe a história?
- Sei! Não vai dar pra secar toda essa quadra antes que comece a chover de novo! Choveu o dia inteiro, não vai dar pra jogar bola, vamo embora e parar de perder tempo aqui! Os rodos não vão funcionar e nem temos muita gente hoje mesmo, indo embora...
- Pois vou contar de novo, é assim: Dois lavradores estão cuidando de uma plantação. Eles estão num período de muita seca, e precisam da umidade trazida pela chuva para conseguir plantar. Um deles se prepara para a chuva, ainda que não se tenha nenhuma atividade de nuvens no céu. O outro não acredita que irá chover e nem prepara a plantação. O resultado é que chove dali uns dias e o lavrador que se preparou colheu bons frutos e conseguiu passar bem a estação da seca, e o outro ficou sem nada.
- Tá e que isso tem a ver com agora? - o irmão mais velho já estava impaciente, cansado e desacreditado. Não preciso nem dizer a palavra cético, preciso?
- Estou me preparando para jogar futebol, e é isso que vou fazer a quadra vai secar. Assim como Deus abençoou o lavrador que se preparou pra chuva, vai abençoar a gente parando a chuva pra gente jogar bola.
O irmão mais velho calou-se no momento, mas ainda permaneceu no seu ceticismo, pois a quadra não tinha secado completamente. Deu que dali uns minutos estavam eles todos, os irmãos, amigos, e novos amigos, agradecendo a Deus por ter parado a chuva e possibilitado a partida de futebol, e principalmente a secagem da quadra. Talvez foi o tapa na cara mais doído no ceticismo do irmão mais velho, que se julgava inteligente e até mais sábio que o mais novo. Foi a prova que não era nada, e não estava preparado para muitas coisas e que existiam ainda outras muitas coisas que ele precisaria aprender e compreender. Seu ceticismo o impedia de se preparar para as coisas, de acreditar, ter esperança."
E é isso que o ceticismo faz conosco mesmo. Nos deixa tão a par e a mercê da razão que não podemos nos dar ao luxo de ter alguma esperança no impossível ou no inimaginável. Tudo é uma questão de dados e fatos e coisas palpáveis. Mas, e se a vida não é assim? E se tudo for muito mais além de tudo isso? Será que o que vemos, sentimos, e temos como padrão de vida é isso mesmo? Nós realmente entendemos o sentido da nossa mera existência? Com o ceticismo não há espaço para estas questões, e sem essas questões as possibilidades de novos caminhos, sonhos a realizar e uma esperança futura são massacradas e dizimadas.
Ok, ok, sei que você deve estar na frente do seu computador talvez dizendo: "quanta bobagem para um texto só, poderia tê-lo dividido em dois"ou "É muita questão profunda sem reposta, essa história não é real, é só figurativa, não tem base real." e milhões de outros pensamentos que não tenho a compreensão, pois não leio mentes! Te peço que releve o que escrevi. E há um porquê. O irmão mais velho, aquele que levou a bofetada da fé de seu irmão, que teve seu ceticismo escancarado e jogado na lama, acreditou mais naquilo que ele mesmo sabia e podia ver, e não naquilo que não podia ver. Não confiou naquilo que estava além de seu conhecimento, e muito ainda além de sua capacidade de realização, mas finalmente aprendeu algo sobre fé. Aprendeu algo relevante, e que o fez parar para refletir e pensar sobre seu ceticismo e sua utilidade realmente nula. Ser céticos nos faz mal, e uma hora ou outra e nos impede de aproveitar algumas coisas que nos são oferecidas e são dádivas de alguém muito maior que nós mesmos. Talvez não entendamos tudo o que nos é passado diariamente, mas uma busca por isso já um grande passo e com certeza é bem sucedida. Realmente o irmão mais velho aprendeu uma boa lição aqui, e a moral da história cada um pode tirar por si só, sintam-se a vontade. Tudo isso aconteceu a algumas semanas, numa segunda feira chuvosa, e o irmão mais velho, meus caros amigos, era eu.

sábado, 29 de novembro de 2008

"Cada um no seu quadrado"


Esse trecho desta música tem chamado muito minha atenção. Não apenas por ser o hit do momento, mas por vir à minha mente em diversas situações do meu cotidiano. Certo dia estava no shopping quando, de repente, vi uma cena real que tirou a frase tão falada da minha boca: "É, cada um no seu quadrado". Era uma cena comum, uma cena que vemos naturalmente no nosso dia dia, mas, que, ao pensar na realidade de "cada um no seu quadrado", tomou uma forma diferente do esperado. Era uma família almoçando na praça de alimentação! Isso mesmo! Não se espante! Foi essa visão que me fez pensar numa realidade cada vez mais presente ao nosso redor com o passar do tempo. Realidade, muitas vezes, camuflada, mas que tende a saquear os tesouros mais estimados que temos. Bom, chega de blá blá blá, pois acho que vocês querem saber o que esta família estava fazendo, né!?! Como disse, eles estavam almoçando em uma praça de alimentação. Porém, era um almoço, no mínimo, diferente, interessante, para mim, intrigante. Eles não comiam e conversavam naturalmente sobre peculiaridades de suas vidas uns com os outros como se espera de um momento como esse. O pai, um sujeito de aproximadamente 40 anos, comia e, ao mesmo tempo, falava ao celular sobre coisas de trabalho, falando alto e, às vezes, até exaltando-se com quem falava. A mãe, uma jovem senhora com seus 35 anos, dividia a refeição com breves pitadas de leitura de um dos últimos best sellers do momento - A Cabana. Um dos filhos, um menininho de 6 ou 7 anos, brincava com um boneco do homem-aranha. E o outro filho, acho que com uns 12 anos, ouvia músicas no seu itouch enquanto comia, e como comia! É verdade, ali cada um estava no seu quadrado, ou seja, cada um preocupado com o que lhe interessava da forma mais subjetiva possível. Nenhuma coisa das quais eles estavam fazendo interessava ao outro. É esta a realidade - o individualismo - que está roubando dia a dia, camufladamente, os tesouros mais preciosos que temos, ou seja, os bons e saudáveis relacionamentos. É claro que tomar este exemplo específico de 10 minutos de observação, e torná-lo geral é muita ingenuidade e ridículo. Seila, pode ser que aquela família se relacione muito bem. Mas "aquela cena", "aquela cena" é um exemplo do individualismo que nos cerca cada vez mais, individualismo que é uma das marcas dessa nossa era, já denominada por alguns como a "pós-modernidade". E, se formos pensar com toda sinceridade, realmente é assim. Passamos o nosso dia a dia em frente ao nosso computador ou debruçados nos livros, buscando o nosso bem e fazendo sempre o melhor, com excelência, como aprendemos com nossos pais e mestres. Mas isso é bom! Muito bom! Onde está o erro? O erro está no fato de que essas atitudes, se não forem acompanhadas de cultivos de relacionamentos saudáveis através de conversas triviais com amigos e famílias, saídas ocasionais com estes para uma conversa também trivial, o que vai acabar acontecendo é que faremos tudo por nós, para nós, com vistas ao nosso bem. E isso é ruim, pois é por causa disso que surgem disputas, guerras e até mesmo atentados terroristas. "Nossa, mas isso está muito longe de mim!" É, pode ser que sim. Mas isso é resultado de algo que pode estar bem próximo de nós - o individualismo. Por isso, se relacione mesmo com o pouco tempo que você em toda essa correria diária. Converse com teus amigos, com teus pais, com teus irmãos, com quem quer que seja! Estabelça relacionamentos! Isso pode evitar muita coisa ruim! Muita mesmo! E que essa minha idéia do hit "cada um no seu quadrado" esteja cada vez mais por fora!